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Aborto - Artigo de Geraldo Ferreira publicado no Novo Jornal

11 jan 17

Aborto - Artigo de Geraldo Ferreira publicado no Novo Jornal

Em nenhum outro assunto a assunção egoísta do individualismo se apresenta com tanta veemência quanto no aborto. Um tema que diz respeito a mãe, pai, feto e envolve a moral e santidade da vida, é defendido como pendente exclusivamente da liberdade individual e da autonomia. A interrupção voluntária da gravidez, por chocante, se transforma em autonomia reprodutiva. Para Débora Diniz e Marcos de Almeida, em Iniciação a Bioética, confrontam-se argumentos, começo da vida, pessoa e potencialidade, possibilidade de vida extrauterina, sistema nervoso central, crenças religiosas e morais, direito à vida, santidade da vida. Os que defendem o aborto se entricheram na liberdade e autonomia da mulher e no conceito de pessoa ser antropológico, necessitando de relação social para existir. Para os contra, a morte do feto priva este ser das experiências, atividades e satisfações que seriam seu futuro, sendo crime. Assim, o nascituro, ser concebido que ainda não nasceu, deve gozar de toda proteção jurídica, inclusive contra atos delituosos dos genitores. A pessoa humana se forma na fecundação, não diferindo o aborto de infanticídio ou assassinato de um adulto. Impressiona a mistificação dos números. Os a favor apresentam um milhão de abortos no Brasil, quando foram de 200 mil em 2013, sendo cerca de 50 mil provocados, e ocultam que um terço das gestações termina em aborto espontâneo, e a mortalidade materna como de 200 mil mulheres ao ano, quando no Brasil, segundo Reinaldo Azevedo chegam a dois mil os óbitos de gestantes, sendo cinco por cento delas por causa de abortamento, entre eles os naturais ou espontâneos. Esses números fantasiosos são alardeados porque, pelas dificuldades morais intrínsecas ao tema, é preciso dar à eliminação do feto um traço humanitário de defesa das gestantes. A interrupção da gravidez por abortamento intencional pode ser classificada em formas terapêutica, seletiva, casos de risco de morte para a mãe ou inviabilidade do concepto, como anencefalia, e voluntário e eugênico, onde a escolha individual pelo aborto é feita pelo desejo de não ter a criança, mas pode conduzir pavorosamente para um mundo onde a eliminação se dê por expectativa não alcançada no feto, como o sexo, posse de tecidos fetais ou células tronco para o comércio de órgãos, ou mesmo a indústria de rejuvenescimento e de beleza. A interrupção voluntária da gestação, com a consequente perda do sentido sagrado da vida humana, cria um mundo com fronteiras morais de difíceis definição.

 

 

*Artigo de Geraldo Ferreira, presidente do Sinmed RN, publicado no Novo Jornal, dia 11/01/2017.

Fonte: Geraldo Ferreira Filho