Os médicos brasileiros vêm sofrendo um ataque sem fim. Após verem o mercado abarrotado de profissionais, formados numa produção mercantilista e industrial, sofrem agora as duras consequências, na forma de aviltamento da remuneração e de calotes. Plantões caíram de valor em até 55% e se formam filas dos que esperam as sobras, os atrasos para recebimento do trabalhado chegam a seis meses e muitos calotes têm acontecido, quando empresas são substituídas por outras que aumentam a exploração em cima do médico, rebaixando os plantões. O conluio entre gestores e empresas submete os médicos a toda sorte de exploração, além de baixa remuneração, da privação fraudulenta de todos os direitos trabalhistas, sofrem um assédio moral brutal, que os impede até de solicitar condições de trabalho. A última reclamação recebida pelo Sindicato Médico do RN traz notícia da queda no valor do plantão de 12 horas em Apodi, de 1.200 para 850 reais. Angustiados os médicos pedem socorro e perguntam sobre o que fazer. A luta não é simples nem rápida. Uma coisa é certa, não há o que fazer se não for a luta profissional organizada, ações jurídicas e trabalhistas, as denuncias dos contratos fraudulentos, das empresas irregulares, a cobrança dos direitos trabalhista, a luta por piso, carreira e concurso público. Tudo isso só pode ser feito sob a coordenação dos sindicatos, as estruturas jurídicas constitucionais de defesa e representação dos médicos. Só o médico sindicalizado e organizado para a luta poderá resistir ao caos.