01/04/2026
01/04/2026
O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed), Geraldo Ferreira, afirmou nesta quarta-feira 1º que a rede pública estadual enfrenta atrasos salariais de até quatro meses, pagamentos parciais e precarização das relações de trabalho. Segundo ele, há profissionais que receberam recentemente valores referentes a setembro de 2025. “A situação é dramática”, disse, em entrevista à rádio Mix FM.
O sindicalista destaca que, nos hospitais universitários, os médicos aprovaram estado de greve sem paralisação enquanto seguem negociações por recomposição salarial.
Geraldo enfatizou que os atrasos são generalizados e atingem diferentes unidades, com destaque para o Hospital Walfredo Gurgel. Ele conta que o modelo de contratação por empresas não resolveu os problemas e questionou o formato adotado. “Como é que você terceiriza um serviço e não paga os profissionais?”. Segundo ele, atrasos entre 90 e 120 dias se tornaram recorrentes.
O presidente do Sinmed-RN relatou que médicos terceirizados não têm direitos trabalhistas. “Não recebe nenhum direito. Não tem férias. Não tem 13º”, disse. Segundo ele, em caso de afastamento, há perda imediata de renda. “Vai para casa e perde o dinheiro do plantão”. Também relatou distorções contratuais. “Dizem que o cara é sócio. Pagam como dividendos. É um falso sócio”, afirmou. “Tem colega com multa de R$ 1 milhão”, acrescentou.
Geraldo Ferreira declarou, ainda, que há impacto sobre a saúde mental da categoria. “O número de doenças mentais é assustador”, disse. “Na classe médica é bem superior”, afirmou.
Sobre a rede assistencial, ele afirmou que há sobrecarga e falhas operacionais. “As UPAs superlotadas”, disse. Também citou unidades subutilizadas. “Hospital da Mulher, uma coisa espetacular, mas subutilizada”, afirmou.