Cardiologistas do Walgredo Gurgel pedem exoneração dos cargos

05/07/2013

Cardiologistas do Walgredo Gurgel pedem exoneração dos cargos

05/07/2013

 Cinco cardiologistas, alegando falta de condições de trabalho, pediram ontem a exoneração de suas funções na UTI do Hospital Walfredo Gurgel (HWG), a única na rede pública do Rio Grande do Norte. O secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Fonseca, convocou, para hoje, uma reunião com os médicos demissionários e tentará demovê-los da ideia. A reunião inicia às 8h na sede da Sesap. O pedido para sair da UTI acontece um dia depois da passeata nacional contra a vinda de médicos cubanos para atendimento no Brasil.

Os médicos que assinam o documento são George Cobe Fonseca (coordenador da UTI cardiológica), Cristiane Guedes Pita, Luciano Pilla Pinto, Rodrigo Lopes de Sousa e Stefferson Luiz Melo Duarte.

De acordo com a carta de exoneração, a causa do pedido é a “insatisfação e desgaste coletivo que a equipe enfrenta no decorrer dos anos”. Os profissionais dizem ter feito denúncias desde 2010, além de pleitearem soluções, porém, como resposta, receberam apenas “decisões imediatistas e ineficazes”.

Entre os problemas enfrentados, os médicos citam a falta de abastecimento. “Faltar antibióticos pode ser considerado gravíssimo, pois a quantidade que tínhamos dava apenas para metade do tratamento. Em se tratando de antibióticos é uma situação séria, porque, em um tratamento incompleto, a bactéria termina se fortalecendo”, explicou a cardiologista Cristiane Pita.

Também é comum os médicos intensivistas saírem da UTI para fazerem atendimentos no pronto-socorro, em outro prédio do hospital, o que é completamente inadequado para esse tipo de profissional.

“Os cardiologistas passaram em concurso público há quatro anos e não têm mais ânimo para continuar. Colocaram todos os problemas em livro de ocorrência, mas nada foi providenciado”, diz.

O secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Fonseca, reconhece as dificuldades apontadas pelos profissionais, mas disse que tentará mantê-los em suas funções. No início da noite de ontem, ele disse que o pedido de exoneração ainda não tinha chegado ao seu gabinete.

“Conheço quase todos esses profissionais pessoalmente e sei o quanto eles são bons. Mas eu acredito que poderemos sanar os problemas apresentados”, disse Fonseca.

Ele admite que existe uma “utilização errônea” dos profissionais da UTI e diz ser “inadmissível” estes fazerem pareceres no pronto-socorro. “Eles devem ficar exclusivamente na UTI”, afirmou o secretário.

O titular da pasta da Saúde diz que vai tentar encontrar soluções para o déficit de pessoal. A UTI cardiológica precisa de sete profissionais médicos.

Sobre o problema do abastecimento, o secretário diz que vai dar mais autonomia ao hospital para fazer as compras, coisa que é feita hoje pela própria Sesap. “As compras deverão ficar mais ágeis”, aposta ele. “Em 60 dias, não teremos o problema do desabastecimento”, sentencia.

Caso a conversa não faça os cardiologistas voltarem atrás, o secretário irá considerar a hipótese de contratar cooperativas médias, fazer convocações públicas e abrir um novo concurso.

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