19/03/2025
19/03/2025
O dia 11 de março de 2020 marcou o mundo como o início da pandemia pelo coronavírus. Rapidamente o mundo foi tomado de horror pela forma como o vírus rapidamente se alastrava e ceifava impiedosamente vidas aos milhões. A busca por seu controle geraria posições conflitantes e controversas na população e nas várias esferas de autoridades pelo mundo, e se transformaram em choque entre os imperativos da saúde pública e os direitos individuais. Hospitais precisaram ser abertos, leitos de UTI montados aceleradamente, testagem em massa implementada, gigantesca produção industrial de equipamentos de proteção e respiradores, contratação extraordinária de recursos humanos. O coronavírus teve uma onda inicial em 2020, de 23 de fevereiro a 25 de julho, com prevalência da cepa original, uma segunda em 2021, de 8 de novembro de 2020 a 10 de abril de 2021, também de alta letalidade pela variante gama e uma terceira em 2022, de 26 de dezembro de 2021 a 21 de maio de 2022, pela variante ômicrom, de alta morbidade, mas baixa letalidade. A vacinação teve início no Brasil em 17 de janeiro de 2021, e seguiu com doses de reforço. A partir daí a pandemia começou a perder força, até que em 21 de maio de 2022 o Estado de Emergência em Saúde Pública de importância Nacional foi suspenso no Brasil. No entanto, só em 05 de maio de 2023 a OMS, Organização Mundial de saúde, decretou o fim da pandemia, cujo início tinha sido determinado pela OMS em 11 de março de 2020, após emergência internacional reconhecida em 30 de janeiro de 2020. Foram 777 milhões de casos no mundo com sete milhões de mortos. No Brasil 40 milhões de casos com 700 mil mortos, no Rio Grande do Norte 600 mil casos com cerca de 9 mil mortos. No dia 22 de janeiro de 2020, antes da doença chegar ao Brasil, o Sindicato falava pela primeira vez do coronavírus. Em um vídeo sobre os problemas de saúde para 2020, o presidente do Sinmed, Geraldo Ferreira, apontava junto à dengue, Zika e Chikungunya, um vírus que iniciava sua marcha infecciosa na China e ameaçava se disseminar. Uma das grandes controvérsias da pandemia foi a possibilidade de tratamento precoce. Em 28 de abril, em virtude de ataques aos médicos que defendiam tratamento precoce o Sinmed se juntou à Associação médica e emitiram nota, defendendo a autonomia médica, dentro dos limites da ética e da ciência, e criticaram os que defenderam que o paciente só procurasse as unidades de saúde quando estivessem com falta de ar. O Conselho Federal de Medicina foi chamado nacionalmente a se posicionar e através do parecer nº 4/2020 pontuou que “Não apoia nem condena o tratamento precoce ou qualquer outro cuidado farmacológico”. O lockdown e seu impacto sobre a economia, sobre as liberdades individuais, seu custo/benefício, foi desde o início politizado, e assim foi durante todos os momentos em que se recorreu a ele. O lockdown, na inexistência de vacinas, buscava o “achatamento da curva” de casos, espaçando a contaminação e evitando a superlotação dos serviços de saúde. Como o SARS-CoV-2 se espalha por gotículas, a obrigatoriedade do uso da máscara se fez praticamente em toda pandemia, com a argumentação de diminuir os casos novos e o total de casos. A vacinação mostrou efetividade, através de seus reforços, atuando na diminuição da mortalidade da segunda e terceira ondas, mas sua obrigatoriedade foi outra área de conflito. No seu auge, as pessoas cantando na sacada de prédios saudando médicos e profissionais da saúde foi particularmente marcante. Isso não era à toa. Na pandemia, o face à face com a morte era diário, e todo mundo tinha a certeza de que vivia um momento histórico e a história corria diante dos olhos de quem sobrevivia. E só quem sobrevivesse poderia contar a história.
Geraldo Ferreira – Presidente do Sinmed RN