Destino e Causalidade – Artigo de Geraldo Ferreira publicado no Novo Jornal

08/09/2017

Destino e Causalidade – Artigo de Geraldo Ferreira publicado no Novo Jornal

08/09/2017

Destino e Causalidade – Artigo de Geraldo Ferreira publicado no Novo Jornal

 

 

Para Hegel, a história universal é um cosmo com conteúdo e movimento, uma lei interna própria, um destino, diferente da causalidade que governa o mundo da natureza. O tempo histórico não é uma sucessão numérica, mas o registro de um processo de vida. Para Spengler, cada cultura tem um estilo, uma personalidade individual, própria e se espalha ao pensamento filosófico, ciência, matemática e às formas sociais da cultura. Christopher Dawson alerta que a construção das ideologias modernas, a doutrina do materialismo histórico e a tentativa dos regimes totalitários de criar mitos históricos como base psicológica para unificação social mostram que a história, diferente de uma acumulação de fatos, exerce importância direta sobre o destino das sociedades. A propaganda política e os interesses de poder vêm utilizando a história e a filosofia para moldar a tradição social e dela se servir. A História é uma ferramenta na guerra ideológica. Richard Sennet compara os tempos da queda do Império Romano com tempo atual, ressaltando a sensação da perda dos princípios de compromisso e crença. A secularização da cultura, ou o triunfo do sentimento irreligioso e materialista, é um ponto do seu desenvolvimento interno, quando ela se transforma em civilização e sua expressão espiritual passa a ser uma propaganda cosmopolita e ética, sem as raízes heroicas, míticas e religiosas que a criaram. Spengler diz que as grandes culturas são autossuficientes e seguem um curso semelhante de ascensão e queda. E descreve um curso para os fatos. A primavera de uma nova cultura é vista quando ocorre a ascensão de uma nova mitologia, expressa em sagas heroicas e épicas, no caso ocidental o folclore europeu e o Cristianismo. O verão marcaria a plena autoconsciência daquela cultura, onde evoluem as ciências e a filosofia. O outono é marcado pela perda da coesão social e pelo crescimento do racionalismo e do individualismo, o poder criativo da cultura encontra suas expressões finais. No inverno, quando a cultura se transforma em civilização, a unidade física de um povo é decomposta em uma mistura disforme cosmopolita e racial. Para Dawson, o curso da história da humanidade é um vasto sistema de relações interculturais, a vida de um povo pode ser modificada por invenções emprestadas do exterior ou pela disseminação de novas formas de pensamento. Grandes sincretismo culturais podem eclipsar destinos individuais de povos. Isso recoloca na história os princípios da causalidade e da oportunidade.

 

*Artigo de Geraldo Ferreira publicado no Novo Jornal em 08/09/2017

 

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