02/04/2025
02/04/2025
Em meados de 1996, em telefonema para o presidente da Saern, Geraldo Ferreira, Rosa do Amaral, presidente da Coopanest, informou que o Itorn, Instituto de Traumatologia e Ortopedia do RN, iria suspender os atendimentos ao SUS, em razão dos baixos valores da tabela para o Hospital, da qual queriam reajuste, e os ortopedistas do hospital acompanhariam a suspensão de atendimento, procurando um adicional nos pagamentos pelas honorários dos procedimentos. Rosa comunicou, além disso, que os anestesistas do Itorn, grupo formado por Mendes, Suely, Carlos Pinto e ela, entre outros, iriam participar do movimento. Assembleias realizadas, coordenadas pela Saern e Coopanest aprovaram a participação no movimento e a decisão de um descredenciamento generalizado, como forma de obter novos valores na remuneração e um objetivo mais ambicioso: um contrato através da Coopanest, Cooperativa dos Anestesiologistas do RN, criada em 1994, mas ainda sem contratos de prestação de serviços que a viabilizassem. Com cerca de 70 anestesistas em Natal, a adesão foi quase completa. Os argumentos dos anestesistas para o descredenciamento eram as condições precárias de trabalho no Sus, que não permitia o uso de drogas modernas, o baixo valor dos procedimentos, cerca de 20% do pago pelos planos de saúde, e o atraso de três meses nos repasses dos anestesistas. Geraldo Ferreira, presidente da Sociedade de Anestesia do RN explicava, pela imprensa, que a proposta era que a Secretaria municipal de saúde fizesse um contrato com a Coopanest, a cooperativa dos anestesiologistas, para remunerar os profissionais com uma tabela superior à do SUS. Uma tabela com os valores pagos pelo SUS, exibida pela imprensa, mostrava uma cirurgia de fimose entre 3 e 5 reais, uma cirurgia de médio porte entre 12 e 15 reais e uma neurocirurgia entre 30 e 40 reais. No dia 12 de junho foi feita assembleia marcando a entrega dos descredenciamentos até a sexta-feira, dia 16. As negociações prosseguiam, agora com a ameaça de paralisação de atendimento. Uma minuta de contrato chegou a ser apresentada à secretaria municipal. No final de agosto de 1996 os anestesistas do Itorn suspenderam os atendimentos eletivos, se limitando às urgências e caso não houvesse acordo, Geraldo informava a paralisação dos anestesistas dos outros hospitais que atendiam SUS para o dia primeiro de setembro. Os jornais informavam que o reajuste pretendido era de 70%. Como historicamente cerca de 60% dos procedimentos realizados nos hospitais de Natal tem procedência no interior do Estado, e a crise de superlotação dos hospitais Walfredo Gurgel e Santa Catarina já se fazia sentir, a Secretaria Estadual, através do secretário José Carlos Passos resolveu atuar.
Desde o início era entendido pelos anestesistas que o modelo de recebimento direto do SUS através da tabela nunca resolveria o problema e era preciso um referencial próprio, da Associação Médica Brasileira, e o recebimento pela Coopanest, através de contrato. Em reunião dos presidentes da Saern e Coopanest, Geraldo e Rosa, com o Secretário Zeca Passos foi celebrado então o primeiro contrato para os anestesistas descredenciados do Sus, pela Coopanest, tendo o Estado como responsável principal. Na nova administração, sendo prefeita Wilma de Faria, em 1997, a secretaria de saúde, agora ocupada pelo médico Salomão Gurgel, assumiu o contrato, com participação do Estado em 60% do custeio, que seria seguidamente renovado, sempre com crises, paralisações, e oposição ferrenha do Ministério Público, que chegou a ponto de, alguns anos à frente, sem sucesso, ajuizar processo de dissolução da Coopanest.
Geraldo Ferreira – Presidente do Sinmed RN