Editoriais

Editorial do Presidente

19 dez 16

Editorial do Presidente

O Brasil vive um momento de instabilidade, é como se os ventos de uma mudança intensificassem seu sopro, ou em linguagem mais nossa, o país enfrenta as dores do crescimento ou amadurecimento político. A alegria nas ruas pela derrubada de um governo, cujo partido institucionalizou a corrupção, cedeu lugar à apreensão, ao vir à tona que a corrupção está entranhada de alguma forma em quase toda rede política. A confusão jurídica para diferenciar o que é doação legal, caixa dois, lobby ou propina, coloca todos no mesmo patamar. Fora isso, os poderes da República se estranham, muitas vezes extrapolando suas prerrogativas. Juntando a tudo isso uma crise econômica, com horizontes incertos, aparece o desânimo de que o Brasil, país do futuro, mais uma vez veja esse futuro se distanciar da geração presente. Os remédios propostos pelo governo, na PEC do Teto, Reforma da Previdência, Reforma trabalhista, Reforma do Ensino médio, lembram muito uma imagem familiar a nós médicos, a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. O governo não pode errar na mão, sob pena de sem apoio popular perder a oportunidade de fazer reformas indispensáveis para o Brasil, mas que precisam exigir a colaboração e o sacrifício em doses aceitáveis à população. 2018 será um ano de eleições de forte renovação na classe política. Guardando-se o cuidado de fugir de aventureiros e oportunistas, deveremos ter um novo cenário, com lideranças comprometidas com as bandeiras de honestidade, competência, eficiência, mérito, liberdade, oportunidades, educação, saúde, segurança, exigidas nas ruas. Palavras que foram pisoteadas ou esquecidas nos últimos anos. Mas, inegavelmente, até 2018 teremos uma travessia de sobressaltos.

 

*Editorial publicado na coluna do Sinmed RN, no Novo Jornal, dia 18/12/2016.