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Transferir foi a melhor solução?

25 jan 08

  Desde a gestão da direção anterior do Hospital Walfredo Gurgel, existe um projeto de transformá-lo em um hospital exclusivamente de trauma. Há aproximadamente  seis meses os médicos foram pegos de surpresa com a notícia que os dezoito leitos da enfermaria de pediatria seriam reduzidos a oito e dos sete pediatras lotados na enfermaria, uma seria devolvida. A direção alegou que existe um grande número de pediatras para poucos leitos. A carga horária de 72 h foi redistribuída da seguinte: 48 h na enfermaria e 24 h entre preceptoria dos residentes e doutorandos da UFRN e UGV (unidade de gerenciamento de vagas).O Sindicato dos Médicos,  Sindsaúde e Pediatras do Walfredo, procuraram o secretário de Saúde do Estado do RN no intuito de reverter a situação. O referido secretário assegurou que a enfermaria não seria fechada. A cada dia a situação da pediatria contudo se torna mais difícil, pois apesar do hospital possuir cerca de sete mil e duzentas horas  para serem distribuídas como eventuais nas diversas especialidades existentes, foi negado a possibilidade de se ter plantões eventuais (para a pediatria), o que começou a gerar lacunas na escala do pronto atendimento (para manter a escala do pronto-socorro funcionando com três pediatras existe a necessidade desses eventuais). Maior foi a  surpresa quando se tomou conhecimento que a direção do Hospital Maria Alice Fernandes havia solicitado apoio da Promotoria da Infância e da Juventude, para resolver o caos que naquele hospital havia se instalado por falta de recursos humanos (médicos).  Duas reuniões já haviam sido feitas com as direções dos hospitais estaduais, além da Sociedade de pediatria, Secretaria estadual e municipal de saúde. Tentou-se resolver o problema, com a determinação que a Secretaria Municipal de Saúde colocasse os pronto-atendimentos (24 hs) para funcionar dentro de sessenta dias (possibilidade que todos conhecem ser totalmente impossível).

Como tornar possível os Pronto-atendimentos de Natal funcionarem se a secretaria de saúde do município não  possui médicos suficiente para suprir as escalas funcionando vinte quatro horas? Não há possibilidade de se fazer contrato provisório e nem concurso público no momento.

Se a rede básica funcionasse e o ambulatório do Maria Alice não tivesse sido desativado, os cinco mil atendimentos no pronto-atendimento com certeza seriam  reduzido a metade.

Os dias se passam, a promotoria da infância e da juventude cobra  do secretário de saúde do estado a resolução do problema. Toma-se conhecimento que em uma dessas reuniões a coordenadora da COHUR sugeriu  fechamento da enfermaria de pediatria (Hospital Walfredo Gurgel). As vinte horas dos pediatras seriam cumpridas no pronto-atendimento, e os cinco mais novos  seriam devolvidos à secretaria de saúde para serem lotados no Maria Alice. A direção do Walfredo aceita passivamente, pois era o começo para reduzir o número de pediatras e realizar o tão desejado sonho de transformar o maior hospital do estado em hospital exclusivamente de TRAUMA. Foi aí que a luta dos pediatras, com auxílio do sindicato dos médicos começou:

  • ato Público contra fechamento da enfermaria do HMWG
  • audiência com deputados
  • audiência com Promotoria da Infância e da Juventude
  • na Governadoria foram entregues mais de oito mil abaixo-assinados contra o fechamento da enfermaria.
  • Intensa cobertura na mídia escrita e televisiva

Em todos os momentos os pediatras estiveram abertos à negociações. A sociedade de pediatria sugeriu contratar a cooperativa de pediatria. Não aceitaram. Foram feitas escalas com plantões eventuais para preencher as lacunas existentes no Maria Alice no final de dezembro 2007 e solicitou-se que ninguém fosse transferido, pois se sabia dos problemas que seriam gerados após a saída dos cinco colegas da nossa escala. Na negociação a COHUR contestou o pagamento em forma de eventual, no entanto, disse que seriam pagos pelo Maria Alice, uma vez que, pelo Walfredo não seria possível fazê-lo. Quatro dias depois, a diretora do Maria Alice entra em contato com o Chefe da pediatria do Walfredo dizendo que não se deveria cumprir a escala  em virtude da mesma não ter sido implantada.

  • Como solucionar o problema?
  • Contrato Provisório? não pode ser feito.
  • Plantão eventual? não existe recursos financeiro para suprí-lo.
  • Concurso Público? Só em março 2008.

O Secretário de Saúde com apoio do  antigo “colegiado” resolve transferir cinco pediatras do Walfredo, dois pediatras do HSta Catarina e um pediatra do Hospital Varela Santiago. Recorre-se juridicamente contra a transferência dos colegas. A decisão  foi favorável. Negociou-se novamente com o Secretário de Saúde. No decorrer da negociação veio a  informação de que haviam recorrido e que a liminar foi favorável à SESAP. O que mais  impressiona no desenrolar dos acontecimentos é que aquela escala dos eventuais fora implantada. Os colegas que nela estavam, receberam os honorários referentes aos plantões não cumpridos. Este dinheiro será devolvido (Janeiro 2008). Por que todo este espetáculo?  Tudo poderia ter sido resolvido com  eventuais? A transferência dos cinco colegas não resolveu o problema do Maria Alice, pois um dos cinco encontra-se de licença médica, os dois do HSta Catarina também estão de licença médica. O Hospital Maria Alice é interditado pelo Conselho Regional de Medicina em virtude da escala não está funcionando todo o mês com três pediatras em cada turno de plantão.

Fazendo uma avaliação geral, os pediatras do Walfredo Gurgel foram os mais prejudicados: perdeu-se cinco profissionais do  quadro, perderam-se férias e licenças prêmio estão suspensas até segunda ordem. Médicos  da enfermaria tiveram que complementar as vinte e quatro horas que se destinavam a preceptoria e a UGV no PA, enquanto os profissionais da enfermaria do Maria Alice só trabalham na enfermaria e não foram solicitados para suprir a necessidade do pronto-atendimento. Com a saída dos cinco, a  escala da pediatria do Walfredo Gurgel fica cheia de lacunas, gera transtornos à vida de todos, que tiveram que ser remanejados para outras escalas, causando incompatibilidade de horários em outros serviços nos quais os médicos já há vários anos trabalham em regime de plantão e que sem eles correrão o risco de não funcionar, uma vez que a cada dia menos profissionais optam em fazer pediatria.