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Artigo: O Poder na Rede

21 mar 18

Artigo: O Poder na Rede

 
 
A mente pública é construída por meio da formação de redes das mentes individuais. Para conquistar e dominar a mente pública, os detentores do poder precisam controlar a comunicação livre, programando a conexão entre comunicação e poder. Se o poder é exercido pela programação e interligação de redes, o contrapoder, diz Manuel Castells, a tentativa de mudar as relações de poder, se faz pela reprogramação das redes em torno de interesses e valores alternativos, interrompendo as comutações predominantes e permutando por redes de resistência ou mudança social. Quando não sabemos quem são os detentores do poder, uma pista é, pois, procurá-los nas conexões entre redes de comunicação corporativas, financeiras, industriais culturais, redes de tecnologia e políticas. A luta entre o individualismo e a comunidade encontra seu território nas redes globais, onde as pessoas podem interagir de acordo com suas escolhas, valores e interesses, podem defender e promover causas ou por outro lado podem se organizar contra uma ordem estranha ou imposta, quando as instituições que proporcionavam segurança como o Estado, a Igreja ou a Família já não funcionam adequadamente. As redes financeiras e multimídia estão intimamente conectadas, tem muito poder, mas não tem o poder total, pois são dependentes de outras redes importantes como a rede política, a rede de produção cultural, a rede militar, a rede criminosa, a rede de produção e aplicação da ciência e da tecnologia e de gerenciamento de conhecimento. Manuel Castells conclui O Poder da Comunicação com três argumentos principais: o poder é multidimensional, exercido em rede e atua influenciando a mente humana, as redes formam redes entre si, cooperando ou competindo, e a rede de poder constituída em torno do Estado e do sistema político desempenha papel fundamental diante das outras redes. São as redes de poder que por manipulação de imagens e processamento de informações na mente pública, constroem os determinantes finais das práticas individuais e coletivas.
 
Geraldo Ferreira Filho
 
*Artigo publicado no Agora Jornal (Agora RN) dia 21/03/2018.