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A Guerra Cultural

28 nov 18

A Guerra Cultural

Marcuse é um dos mais importantes ideólogos da Esquerda. Pertencia à escola de Frankfurt, que incluía sociólogos, críticos de arte, psicólogos, sexólogos, cientistas políticos e toda uma gama de estudiosos que se propuseram a transformar o Marxismo de uma teoria econômica numa realidade cultural. Marcuse expressava o propósito de uma revolução cultural, incluindo a moralidade da sociedade. Enquanto Marx acreditava que o poder estava com os que controlavam os meios de produção, a escola de Frankfurt dizia que o poder estava junto dos que controlavam as instituições de cultura. Vem da escola de Frankfurt uma das armas mais sórdidas usadas no confronto das ideias. Sem nenhum respeito pelo pensamento divergente, esses pensadores consideravam os conservadores neuróticos e a partir daí desenvolveu-se toda uma sistemática, hoje usada fartamente pela esquerda, que substituiu o debate pela psicologização, uma forma de silenciar o oponente, acusando seu pensamento de ser uma patologia, hoje visto nas agressões de homofobia, machismo ou racismo a qualquer discordância do pensamento esquerdista.

Outro pensador da esquerda, o Italiano Gramsci vai na mesma linha. Não é a tomada política do poder pela força que implanta a revolução, mas a conquista da hegemonia pela ocupação das instituições culturais. Gramsci foi adotado pela intelectualidade que a partir dali sentiu que não precisava pegar em armas para ser revolucionária, mas que nas universidades, imprensa, cinema, teatro, ONGs e até igrejas, podia destruir costumes e valores e fazer a revolução, entendida como a tomada do poder político. A teoria dos Cadernos do Cárcere de Gramsci é na verdade a teoria do fascismo, onde corporativismo se transforma em hegemonia. A sociedade é um conjunto de centenas de pequenas instituições, e submetê-las é o segredo da política. Quando a esquerda precisa identificar continuamente o fascismo como o grande inimigo, já se entende que os meios são os mesmos. A guerra cultural da esquerda para controlar as instituições visa destruir a forma de governo fundada na representação, na lei e nas instituições autônomas que medeiam o indivíduo e o estado. Para estes pensadores a política não passa de uma cobertura mentirosa posta sobre a realidade do poder. Para Roger Scruton as belas palavras libertação, democracia, igualdade, progresso, paz, ditas sem o menor compromisso com a verdade, são apenas floreios para a prática revolucionária.

 

Geraldo Ferreira Filho – Presidente do Sinmed RN

 

Publicado no Agora Jornal dia 28/11/2018.