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No Dia Mundial da Saúde, no Brasil ainda há assistência inadequada

07 abr 18

No Dia Mundial da Saúde, no Brasil ainda há assistência inadequada

No dia em que é celebrado o Dia Mundial da Saúde, 7 de abril, não há muito o que se comemorar. A realidade da assistência da saúde em nosso país ainda é crítica e a face mais dolorosa se apresenta nos hospitais de urgência e emergência, onde não há estrutura adequada para atender a demanda de pacientes, que se alojam pelos corredores, sem o mínimo conforto ou privacidade.

Também há uma deficiência visível na assistência aos pacientes que são dependentes químicos; na assistência psiquiátrica; às gestantes que, muitas vezes, precisam se deslocar de lugares distantes para chegar até a maternidade ou sofrem com gestação de alto risco que não são conduzidas adequadamente; a falta de pediatras no atendimento às crianças, além das filas intermináveis de espera por cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o acesso a medicamentos que ainda é precário, especialmente os remédios que são de alto custo.

Nos últimos anos houve um aumento de 85 bilhões para 127 bilhões de investimento na saúde, ainda assim sociedade não consegue sentir uma melhoria na assistência. A crise na saúde não se trata apenas de aplicação de recursos. É preciso reformar a gestão, readequar os recursos humanos criando novas carreiras que permitam uma assistência mais completa à população, onde os funcionários tenham uma visão mais ampla a respeito da situação de cada paciente.

Para presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed RN), Geraldo Ferreira, a solução não está apenas na mudança de gestão: “há necessidade de mudança de gestão, mas também é preciso barrar a corrupção. Há necessidade também, inegavelmente, de melhorar a rede de assistência, tendo em vista que a infraestrutura hoje está, em sua grande parte, sucateada, com macas enferrujadas e equipamentos quebrados. Um exemplo é o Hospital Walfredo Gurgel que possui oito salas de cirurgia, porém, apenas duas funcionam. As outras seis salas estão com problemas. Infelizmente essa é uma realidade que se estende a outros lugares”, desabafou.

Outro fator que contribui com o sucateamento da saúde é a suspensão do convênio de hospitais privados que prestavam atendimento ao serviço público em virtude da não atualização das tabelas de remuneração.

Ainda de acordo com Geraldo, na área de planos de saúde existe uma popularização que daria acesso com melhores condições no atendimento à saúde, no entanto, é recorrente que quando o paciente precisa do plano, os direitos que lhes são garantidos, são negados. Muitas vezes é preciso recorrer a justiça para se conseguir o que deveria está garantido.

Apesar de toda a crise, o presidente do Sinmed não considera a causa perdida: “É preciso que haja um envolvimento da sociedade. Cobranças, críticas, freio aos desvios de dinheiro, ações”, disse.

Quando falamos em saúde, a primeira ideia que nos vem à cabeça são as mais diversas doenças. Porém, saúde não representa apenas a ausência de doenças. Para Geraldo, ela significa também bem estar: “e para isso precisamos de um meio ambiente equilibrado, bem estar psicológico e uma melhor qualidade de vida. Questões sociais como o combate a violência e a educação no transito também são questões que influenciam diretamente na saúde. Haja vista que as efetivações que tem gerado o maior número de óbito nas urgências e emergências estão ligadas a questão de imprudências no trânsito e falta de segurança”, finaliza.

Fonte: Sinmed RN