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Médicos marcam protesto em Natal contra ministro e más condições de trabalho

01 ago 17

Médicos marcam protesto em Natal contra ministro e más condições de trabalho

Entidades representativas da categoria médica agendaram para a próxima quinta-feira, 3, manifestações em diversas cidades do país contra a falta de políticas eficazes do governo federal para a área da saúde e para repudiar declarações recentes do ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Em Natal, uma passeata deve acontecer a partir das 15h, partindo da sede do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed/RN) em direção ao Conselho Regional de Medicina (Cremern). Além do protesto local, uma delegação formada por profissionais médicos potiguares também irá a Brasília, onde ocorrerá uma mobilização mais ampla.

Ao convocar a categoria para a manifestação, o presidente do Sinmed/RN e da Confederação Nacional dos Médicos, Geraldo Ferreira, afirmou que os atos pedirão a saída do ministro. “Os brasileiros estarão nas ruas, espalhados por todos os estados, em protesto contra as palavras do ministro, que culpabilizou e criminalizou os médicos pelos desmandos e pela falência do sistema público de saúde”, criticou.

No último dia 13 de julho, o ministro defendeu, durante um evento no qual foram anunciados novos investimentos para a saúde, a instalação de sistemas de identificação biométrica em unidades públicas de saúde para controlar a assiduidade de médicos. Na oportunidade, uma frase revoltou a categoria. “Vamos parar de fingir que pagamos médicos e os médicos vão parar de fingir que trabalham”, disse Barros.

Segundo Geraldo Ferreira, trata-se de uma declaração descabida, sobretudo em virtude das más condições de trabalho às quais os médicos são submetidos atualmente. “[No ato], os médicos vão protestar, vão pedir ‘fora Barros’, vão pedir respeito e vão pedir, acima de tudo, que o governo crie vergonha e melhore a saúde pública do povo brasileiro. Os hospitais estão deixando de cumprir o seu papel. A falta de leitos, a falta de equipamentos básicos e medicações essenciais tornam a saúde pública um drama cotidiano”, resumiu.

A opinião é compartilhada por Marcos Lima de Freitas, presidente do Cremern. “Apoiamos o ato para cobrar respeito aos médicos, que em sua imensa maioria trabalha muito, apesar dos contratos de trabalho indecentes aos quais estão submetidos. Carregam nas costas um sistema de saúde precário e por este e outros motivos, merecem respeito”, enfatiza o médico.

Também adepto ao movimento, o anestesista Chagas Bastos, vice-presidente do Sinmed/RN, considera importante a instalação da biometria nas unidades de saúde, no entanto, sugere que a verba que deverá ser utilizada para este fim seja aplicada em melhorias na rede de atendimento à população.

“Queremos que haja biometria, mas que haja condições de trabalharmos. Então em vez de biometria, por que não compra meios para trabalhar? Por que não bota leitos de UTI, principalmente a neonatal? As crianças estão morrendo sem UTI. Além disso, cirurgias ortopédicas estão sendo adiadas. Quando se vai operar, o paciente já está todo sequelado…”, lamenta Chagas.

Por causa desses fatores, o médico assinala que o ministro Ricardo Barros fez uma análise equivocada sobre o trabalho da categoria. “Trabalhamos mais que todo mundo. Temos que decidir quem vai viver e quem vai morrer. Não existe vaga de UTI para todo mundo, seja gestante, adultos ou crianças. Não temos meios de trabalho: faltam termômetro, estetoscópio e medicamentos. Então, o nosso primeiro grito será este [protesto de quinta-feira]”, registra.

A fala do ministro também foi repudiada pelo líder do Conselho Regional. ”As declarações foram de uma enorme infelicidade. Ao repeti-las em três ocasiões diferentes, deixou claro que é o seu pensamento ou sua estratégia de transferência de responsabilidade. Não vamos assumir responsabilidades que não são nossas. Queremos dignidade para assistir aos nossos pacientes. Entendemos que não será gastando uma fortuna com tecnologia para controle de presença que atingiremos a produtividade que ele tanto almeja. Precisamos de condições de trabalho para melhorar essa produtividade”, comentou.

Apesar da insatisfação dos médicos contra a fala do ministro, o descaso com a saúde pública e o fato de compor uma série de atos a nível nacional, o protesto da categoria terá, no Rio Grande do Norte, contudo, outros objetivos. É o que conta o psiquiatra Guaraci Barbosa, que enseja o convite para o ato.

“O ministro foi muito infeliz, ele fez uma crítica horrível e generalizada, sem se atentar às precárias condições de trabalho dos médicos. Mas haverá outras reivindicações [no ato], como a questão salarial dos médicos que trabalham no município de Natal e no estado”, relata.

Os médicos de Natal estão em Estado de Greve desde o início de julho e já realizaram, durante o mês passado, uma série de mobilizações. Eles reivindicam a implementação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos, concurso público para diminuição de contratos terceirizados e pagamento de salários em dia. O atraso salarial também é queixa de profissionais contratos pelo estado. Durante esta semana, novas assembleias da categoria serão realizadas para decidir se as mobilizações terão continuidade.

Fonte: Agora RN