Artigos

ESTRANHAS CATEDRAIS

29 ago 18

ESTRANHAS CATEDRAIS

Mais uma vez me reporto a uma música que fez grande sucesso, ainda nos idos dos anos noventa. Esta música que me refiro chama-se: “Vai passar” e nela estão contidas várias frases aludindo a roubos e negociações espúrias que levaram a construções inúteis e caras somente para superfaturamentos que eram transformados, naturalmente, em propinas. Daí a frase “Erguendo estranhas catedrais”.

Olhando agora para os dias de hoje, me deparo, para o meu espanto, com uma realidade quase idêntica àquela que inspirou a música.

Os políticos pensam assim: Os golpistas de ontem, hoje são meus aliados e tudo o que eu disse sobre eles que desabonassem suas condutas ou vice-versa são apenas palavras ao vento, o que importa é o conchavo para ganhar votos e depois, passada as eleições, amainadas todas as paixões políticas, seremos amigos novamente e prontos para novos planos de perpetuação de poder e reeleições infinitas. Ora, o povo que se dane.

Por baixo do pano, tudo já está resolvido, a distribuição de benesses, derrame de dinheiro público, abrir-se-ão os cabides de empregos, um ministério aqui, dado como prêmio, outra agência reguladora ali ganha novo dono, já acordada anteriormente e por aí vai…

Quanto será a fatura do acordo com o centrão? Impossível de dizer, contudo, certamente será direcionada para o esquartejamento da máquina pública, a criação de feudos visando somente o desvio de dinheiro público para enriquecimento dos partidos aliados e dos apaniguados. Ora, o povo que se dane.

E assim será se não elegermos os nossos novos representantes nos parlamentos, pessoas que nunca foram portadoras de mandatos eletivos e que agora almejam nos representar. Não votemos em quem já foi parlamentar, precisamos mudar todo o parlamento Federal e Estadual. Não adianta fazermos a mesma experiência com os mesmos ingredientes e esperar resultado diferente.

Agora vale citar mais uma estrofe da música citada no início deste texto: “A nossa Pátria, mãe tão distraída, sem saber que era subtraída, em tenebrosas transações”. O dia está chegando, votemos com entusiasmo, contudo, desta vez não temos o direito de errar, vamos escolher os melhores.

Francisco das Chagas Bastos

Presidente em exercício do Sinmed RN

 

*Artigo publicado no Agora Jornal, dia 29/08/2018.