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AGENDA BRASIL - SAÚDE

28 mar 18

AGENDA BRASIL - SAÚDE

Gilberto Hochman em “Saúde pública ou os males do Brasil são”, no livro Agenda Brasileira, cita a célebre denúncia de Miguel Pereira em 1916 “0 Brasil ainda é um imenso hospital”, e chega ao médico Juscelino Kubitschek, em 1955, que ao presidir o país alertava que o “Brasil não seria só doença”. O “país doente” tem sido sempre um incômodo aos médicos, intelectuais e políticos. Impõe-se assim a questão de como construir um país civilizado, moderno e desenvolvido com populações doentes e espaços insalubres. A agenda tradicional da saúde pública mudou de doenças infecciosas, parasitárias e desnutrição para doenças do envelhecimento, novas epidemias como HIV e Gripes variadas, violência e acidentes, doenças do trabalho, obesidade e distúrbios nutricionais, reemergência de doenças como Dengue, Tuberculose, Febre Amarela, além da desigualdade em saúde. O bem estar é fruto de políticas de crescimento econômico que garantam renda e emprego, políticas sociais universais, previdência, educação e saúde, que promovam igualdade e qualidade de vida e políticas assistenciais para grupos vulneráveis e excluídos, pontuam Ana Luíza e Hudson Pacífico em Economia e Saúde, no livro Política e Gestão Pública em Saúde. O sistema hoje apresenta filas para procedimentos ou consultas especializadas, insuficiência de leitos, rede sucateada. Como alternativa, o sistema público pode se especializar no atendimento básico e emergencial, ter uma rede própria estratégica, fazer um credenciamento universal de serviços e profissionais, por licitações ou leilões de custos, tornando a escolha possível pelo paciente, usar estruturas cooperativas, filantrópicas e privadas como complementar, incentivar empresas a fornecerem assistência, montagem de uma rede assistencial nas escolas para saúde da infância e adolescência,  serviços de saúde do trabalhador nas empresas, uso de uma rede de hospitais terciários, universitários e institutos para pesquisas e oferta de serviços avançados na área de saúde.

 

Geraldo Ferreira Ferreira

*Artigo publicado no Agora Jornal (Agora RN) dia 28/03/2018.