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A Terra disputada - artigo de Geraldo Ferreira publicado no Novo Jornal

27 jul 17

A Terra disputada - artigo de Geraldo Ferreira publicado no Novo Jornal

A palestina sempre teve papel especial na imaginação e vontade política do ocidente, foi o objetivo e prêmio das cruzadas, sendo lugar de causas e peregrinações. Após o domínio romano, no Século VII a palestina tornou-se árabe e muçulmana e depois de 1516 província do império Otomano. Em 1882 teve início a primeira de cinco grandes ondas de migrações para a Palestina, em que os judeus começaram através de colônias a ocupar a terra. O Sionismo, criado por Herzl, já visava a constituição de um estado para os judeus. A primeira onda apoiou-se no cooperativismo e no Socialismo utópico, a segunda e a terceira tiveram entre os participantes figuras históricas de Israel, entre eles Ben Gurion, e se apoiou na conquista do solo e do trabalho através da fazenda comunal o Kibutz e do Moshad a fazenda cooperativa com propriedades individuais. Em 1822 havia 24 mil judeus em meio a 250 mil palestinos, em 1914 de uma população de 670 mil pessoas, havia 60 mil judeus, em 1922 os judeus chegaram a 83 mil, a política britânica de favorecer o sionismo, levou de 10% da população para cerca de 30% ao final da II grande guerra. Edward Said, em A Questão Palestina, diz que a visão do imperialismo britânico e do sionismo via os judeus como uma colonização e uma missão civilizatória, e os árabes como algo secundário e insignificante. Quando da independência, Israel tinha 6% das terras e 30% da população. O antissemitismo histórico no ocidente e o advento do fascismo e nazismo com massacres e quase extermínio dos judeus no holocausto, fizeram o ocidente ver que havia um povo identificado com a terra de Israel, desde tempos imemoriais, de uma história prodigiosa de sofrimento e grandeza moral e intelectual. O conflito do sionismo com os árabes na palestina era visto como uma extensão e até uma intensificação do conflito ocidente oriente. Israel e o sionismo eram associados ao liberalismo, à liberdade, à democracia, ao conhecimento e ao esclarecimento, tudo pelo que o ocidente lutava e defendia. E manteria o Islamismo e depois o comunismo à distância. Em 1947 com a onda de descolonização, os britânicos passaram para a ONU o problema de Israel e da Palestina, e foi aprovado o plano de partilha para um Estado judeu e um palestino, ficando Jerusalém com status internacional. Os britânicos anunciam então que em maio de 1948 retirariam suas forças militares. Judeus, árabes e palestinos sabem que ficarão entregues à própria sorte, pois não ficaria ninguém para bancar o acordo. Continua…

 

*Artigo de Geraldo Ferreira publicado no Novo Jornal dia 26/07/2017

Fonte: Geraldo Ferreira Filho